1. Música em Outras Palavras :
“Caiu um cravo do céu...”

O curso é composto de workshops referentes ao uso da linguagem poético-verbal dentro da expressão musical vocal, ou seja, no recorte histórico feito através da apreciação estética de algumas grandes realizações no trato com a palavra cantada na história ocidental, em momentos e situações sócio-culturais distintas.

Dividido em quatro momentos diferenciados - comunicantes e complementares, porém - cada  encontro contará com três horas de duração, onde serão abordados aspectos como a estética da canção, utilizando-se do instrumental de análise oriundo da poesia (conceitos básicos como paráfrase, sonoridade, rima e etc.) e da música (melodia, ritmo, tonalismo e modalismo), mais breve situação histórica e cultural dos gêneros e autores envolvidos. O curso estará aberto para qualquer interessado, músico ou não, sendo articulado em uma linguagem acessível, onde conceitos mais específicos e desconhecidos do grande público serão evitados e outros conceitos, necessários para a compreensão da canção, serão esclarecidos para os ouvintes.

O Curso está dividido em:

1-   E(s)(n)tendendo a Canção - sensibilização, utilizando-se de recursos de análise poética e musical, além de outros, visuais e táteis isomórficos e que são, até certo ponto, análogos ao processo de composição da palavra cantada.
2-     O Canto da Corte e do Salão: A canção erudita e suas várias manifestações - da arte da Provença ao apogeu do lied alemão com Schubert e Hugo Wolf, até alguns exemplos na música erudita moderna e contemporânea.
3-     Os pés na língua: o cantar popular brasileiro - análise e comentário sobre o processo de criação da canção no Brasil das ruas, do repente, do canto de cegos, do partido alto e outros.
4-     Eles Usam Óculos Escuros: Jards Macalé, Walter Franco e Jorge Mautner, três “malditos” na MPB - visando esclarecer o papel inventivo e da contribuição original que estes autores deram ao panorama da canção brasileira da segunda metade do séc.XX.
Material necessário:

O curso todo será ilustrado com exemplos musicais cantados e tocados  ao vivo ou reproduzidos através de aparelho de som, necessitando, para isso, de um aparelho com toca fitas e CDs.
É necessário que os ouvintes levem caneta ou lápis, mais papel para anotações e exercícios. Para os que lêem música, recomenda-se a utilização de folha pautada.

“Caiu um cravo do céu, sôdade / De tão alto desfolhou, sôdade / (...)” citando uma cantiga de domínio público mineira.....

2. T r o p i c á l i a - Bossa Nova
Irace ”má” ou Desafinar-se

Introdução e Exposição

Ciclo de workshops abordando a história da Bossa Nova e da Tropicália, suas características estéticas, seus protagonistas e sua influência na cultura musical brasileira geral. Dividido em 8 momentos diferenciados - comunicantes e complementares, porém - cada  encontro contará com três horas de duração, onde serão abordados aspectos como a estética da canção, utilizando-se do instrumental de análise oriundo da poesia (conceitos básicos como paráfrase, sonoridade, rima e etc.) e da música (melodia, ritmo, tonalismo e modalismo), mais uma breve situação histórica e cultural dos gêneros e autores envolvidos. 
O curso estará aberto para qualquer interessado, músico ou não, sendo articulado em uma linguagem acessível, onde conceitos mais específicos e desconhecidos do grande público serão evitados e outros conceitos, necessários para a compreensão da canção, serão esclarecidos para os ouvintes.

Aula 1a: SAMBA-BOP, OF COURSE - OS PRECURSORES DA BOSSA NOVA.
Abordagem sucinta dos estilos precursores da Bossa e seus principais intérpretes e compositores, junto a breve comentário sobre a música popular brasileira anterior à década de 40 - a música de Sinhôs, Arys e Lamartines - acompanhando toda a influência da música norte americana e sua gradual mescla ao idioma musical brasileiro.

Aula 2a: VAI, MINHA TRISTEZA...A BOSSA EM SI.
O surgimento do LP “Chega de Saudade” em 59, resultado e culminância de todo um processo de incorporação de elementos do jazz e da música erudita impressionista, modernização da letra da canção e contenção-concreção da interpretação, pelas realizações inaugurais de Tom Jobim, João Gilberto e Vinícius de Moraes - este último, respectivamente compositor, intérprete e letrista. Advento possível dos personagens que participaram da chamada “primeira fase da Bossa”: Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal, Sérgio Ricardo e outros.

Aula 3a: OS TONS DOS ARRASTÕES, DA BOSSA EM DIANTE.
Análise poético-musical da segunda geração da Bossa - Edu Lobo, Marcos Valle, Dory Caymmi e Francis Hime - e da influência decisiva que os procedimentos estéticos da mesma exerceram na obra de compositores surgidos então - Chico Buarque, Caetano Veloso, Geraldo Vandré e Gilberto Gil. Definitivamente incorporada ao fazer musical a partir da década de 60, seja por simples adoção do estilo já cristalizado ou por influência indireta, a Bossa Nova se espalha e torna-se uma espécie de grau zero da MPB, pós meados do século XX e seu legado fica claro em realizações como o “Clube da Esquina” e os “Novos Baianos”, nas vozes de Ivan Lins, Milton Nascimento, João Bosco e outros, passando pela década de 80 com Eduardo Gudin, Guinga e Djavan para desaguar nas obras mais recentes de um Sérgio Santos, por exemplo.

Aula 4a: “SAMBAS” DE UMA NOTA SÓ, TECENDO A BOSSA.
Composição, a partir de um resumo interno das aulas precedentes, de uma “canção” no estilo da “Bossa”. Fornecendo o oficineiro as chaves básicas para o destrinchamento do estilo, uma única peça resumirá a compreensão obtida pelo Workshop. Cabe mais uma vez frisar que não se exigirá conhecimento musical nenhum dos participantes pois, dada a própria experiência do oficineiro, sabe-se que uma classe é sempre heterogênea em suas capacidades criativas; em outras palavras, haverá poetas, músicos, diletantes, curiosos e a soma de habilidades transformantes interessa mais que a particularização do já sabido.

Aula 5a : Da preguiça ao progresso, a caracterização do  período pré-tropicalista.
A discussão estará centrada nos aspectos constitucionais da obra de compositores que simbolizaram a postura pessoal de uma época, mesmo que em não concordância com o que viria a ser a Tropicália  - caso de Geraldo Vandré, Edu Lobo, etc. - e de autores que a influenciariam direta ou indiretamente, ou ainda de precursores  - como o caso do hipster tropical Jorge Mautner. Um período que se possa reconhecer como “pré-tropicalista” apresenta vários traços difusos e muitas vezes pouco entendidos em sua real significação. Estará se tratando, afinal, de um complexo período de transição, onde emergiram várias tendências artístico-culturais, tudo em meio a um ambiente de grande agitação política e cultural. As análises serão feitas abordando os aspectos históricos do país e do mundo do período que vai do final dos anos 50 até meados dos anos 60, e serão ouvidas e analisadas canções representativas da MPB de então. 

Aula 6a: Carmen MiranDadá, a genitália conceitual da Tropicália.
Será estudado o surgimento e a vida ativa da Tropicália em suas manifestações culturais diversas como, por exemplo, as artes plásticas - trabalhos desenvolvidos na época por Rubem Guerchmam, Hélio Oiticica, etc. - e, principalmente, porque aqui se situa seu verdadeiro campo de desenvolvimento - a música. A abordagem será feita tangenciando todas as influências, irônicas ou não, que os principais compositores tropicalistas sofreram. Autores como Oswald de Andrade, o Teatro Oficina de Zé Celso Martinez, os poetas Noigandres, os Beatles e João Gilberto, aparecerão no decorrer da explanação como as referências necessárias para que se compreendam todos as posturas e incomposturas de um Caetano Veloso ou um Rogério Duprat. Serão ouvidas e analisadas as canções mais representativas do movimento como um todo, como as do disco manifesto “Tropicália ou Panis et Circensis”, os dois discos solo de Caetano Veloso e Gilberto Gil (68 e 69), as gravações tropicalistas de Gal Costa, Tom Zé, Nara Leão, e outras. Estando enlaçada profundamente com o momento político do Brasil de então, a Tropicália será entendida não só por uma visão sociológica reducionista, ou por uma concepção estética formal - profunda, todavia incoerente - mas, pelo contrário, pela união equilibrada destas duas formas de visão. 

Aula 7a: As pulgas mil na geral,  o desenrolar do pós-tropicalismo.
Com a morte da Tropicália em 1969, decretada oficialmente no programa “Divino Maravilhoso”, o exílio de Caetano e Gil e a submersão geral da cultura brasileira numa rigorosíssima ditadura, a Tropicália em si se desfez como núcleo, restando alguns pontos luminosos e isolados. O trabalho em desenvolvimento dos já veteranos Tom Zé e Gal Costa, a adesão de figuras gestadas por preceitos tropicalistas, como Jards Macalé, Walter Franco, o surgimento dos “Novos Baianos”, do “Clube da Esquina”, do “Pessoal do Ceará”, são bem característicos em todos os seus elementos daquilo que se possa chamar de uma estética “pós-tropicalista”. A extensão da influência tropicalista será vista desde o fim da década 70 (o trabalho do grupo Rumo, de Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, etc.) até a produção da MPB contemporânea, com os trabalhos de compositores como Chico Science, Chico César, José Miguel Wisnik e André Abujamra.

Aula 8a: Vamos Passear na floresta escondida, meu amor...
Aqui será repetido o mesmo processo de criação poético-musical da aula 4a, mudando-se apenas o estilo: uma canção “tropicalista” finalizará o ciclo de oito workshops, dando-se assim o resumo estético dos dois objetos-canção estudados.

Plano de Trabalho

O curso todo será ilustrado com exemplos musicais cantados e tocados ao vivo ou reproduzidos através de aparelho de som, necessitando, para isso, de um aparelho com toca fitas e CDs, além de lousa branca e caneta, para o oficineiro.

É necessário que os ouvintes levem caneta ou lápis, mais papel para anotações e exercícios. Para os que lêem música, recomenda-se a utilização de folha pautada.

A faixa etária deverá ser dos 14 anos em diante, e a estimativa é de 30 pessoas. Tem o curso duração de dois meses, sendo uma aula por semana.


3. TOCANDO A MÚSICA - CAPACITAÇÃO ESTÉTICA PARA EDUCADORES E PROTAGONISTAS CULTURAIS:

“- Realmente, eis um verdadeiro enamorado - disse o Rouxinol. - do que eu canto, ele sofre: o que é alegria para mim, para ele é tormento...” (do conto “O Rouxinol e a Rosa”, de Oscar Wilde.)

A música é, por excelência, uma arte do tempo. É no tempo de duração de toda a melodia de uma ciranda, no tempo interno - psicológico e subjetivo - da criação e interpretação musicais, no alongamento, supressão e arrefecimento do mesmo que se opera o “o ato” da música, da forma como a entendemos hoje. Por sua suposta abstração, por seu teor imaterial (ondas em movimento) e também por se tratar de um ofício de construção, a música lida - simultaneamente e de maneira mais profunda que as outras artes - com emoção e intelecto, com sentimento e artesanato, exercendo um poder de disseminação de sensações que tem como resultado final a (suposta) contemplação do belo. Aí está o ponto: a música vai ao ponto, sem intermédios.
Rousseau, o filósofo educador de Emílio nos diz, a respeito da música, em seu “Ensaio Sobre a Origem das Línguas” que “Os mais belos cantos ao nosso gosto sempre impressionarão de forma medíocre um ouvido não costumado a eles. São uma língua cujo dicionário se precisa conhecer.” O autor se referia à melodia, mas a abrangência do conceito pode ser verificada em toda a dimensão do fenômeno musical. Já Hegel, na “Estética”, não obstante considerasse o suposto “(...) elemento sensível que, em música, ainda está estreitamente ligado ao sentimento” um sinal de inferioridade em relação à poesia, onde “o espírito é livre em si, e está separado dos materiais sensíveis que transformou em sinais destinados para a sua expressão” mesmo assim, e falando de maneira abrangente sobre a Arte, compreendeu que “O interesse humano, o valor espiritual de um acontecimento, de uma ação, de um caráter individual, em seu desenvolvimento e finalidade, são pela obra de arte apreendidos e realçados de um modo mais puro e transparente do que o da realidade ordinária, não artística (...)” e arrematou, numa definição precisa do papel da arte na consciência humana, ao dizer que “As coisas da natureza contentam-se em ser, pois são simples e só uma vez são, ao passo que o homem, enquanto consciência, desdobra-se: é uma vez só, mas é para si.”
Partindo do pressuposto de que a arte é uma das maneiras mais fascinantes de se entender o indivíduo, de aproximação dos universos intransponíveis do Eu e do Outro, do desenvolvimento seguro de uma imaginação livre e conseqüente; em suma, por seu papel primordial na educação do homem - no que a palavra “educação” possa compreender de ciência do convívio humano, escolha da melhor e mais fundamentada opção em cada momento da vida, - estará a arte plenamente inserida no “Espírito da Época”, e no caráter eternamente humano - e demasiado humano - da mesma, é que o papel do educador, de posse de alguns elementos básicos da arte, se faz imprescindível.
Esta é a proposta deste curso de um ano: levar o ouvinte a um contato mais aproximado e de cunho interativo com o universo estético, escolhendo a música como instrumental de educação. Trazer, enfim, a arte da música para próximo da realidade cotidiana, de quem ensina e de quem aprende.


4. A IMAGINAÇÃO E A NOTA: O PERCURSO DA IDÉIA NA SINFONIA FANTÁSTICA DE BERLIOZ

O workshop é todo composto sobre dois eixos de leitura, estando aberto ao público interessado, sejam músicos ou não: 1) Análise da “Sinfonia Fantástica”, a partir do desvendamento prévio da estrutura da forma sonata. Sendo uma das obras fundamentais do romantismo francês, a sinfonia foi composta por Hector Berlioz em 1830, e amplia conceitos de forma, unidade temática (criação da “idée fixe”) e orquestração, por conta da 2) imaginação vertiginosa do autor, que serviu de matéria-prima para a criação de um quase poema sinfônico (a “Sinfonia” é o mapa possível das oscilações emocionais de um Berlioz apaixonado, à época da criação da obra, por uma atriz que viria a ser sua esposa), no cruzamento entre palavra, imagens descritivas e evocações quase pré-cinematográficas com o colorido orquestral e a fluidez do discurso sonoro. Hector, que não tocava piano e arranhava a flauta e o violão, contou com o descontentamento com as regras e a “fantasia” (este termo tão mal empregado...) para revolucionar o conceito estático de orquestração, forma e outros - ou, nas palavras de Charles Sanders Peirce “percepção é a possibilidade de adquirir informações, de significar mais; ora, uma palavra - ou uma escala musical - pode aprender.”


5. Escrevendo o que se Ouve 
Ouvindo o que se Escreve

"Eu, minha Marília..."

Curso de redação/análise literária 
dado a partir da escuta - e, sendo o caso, do tocar e cantar da Música Popular Brasileira.

Estudo das letras e de sua contextualização histórica e literária que desembocará na produção de textos - ou canções - , capacitando o estudante para a escrita literária e poética.

“Uma forma de nos educarmos a nós mesmos é desafiarmos uma pessoa que para nós tem autoridade a pronunciar-se sobre um assunto em que sabemos que ela tem uma opinião diferente da nossa.” (Hugo Von Hofmannsthal, poeta e dramaturgo austríaco de opiniões dardejantes...)

 

Facebook Oficial Vídeos Siga-me! Escute minhas músicas!
Desenvolvido por Aliveweb Aliveweb Facebook Oficial Vídeos Siga-me! Escute minhas músicas!