Sobre Luciano

“No fundo do mato-virgem de Fiume (rio), ou Primorsko-Goranska, na Croácia, nasceu Luciano Garcez, dizem que um Trickster de nossa gente. Era poeta ebony and evory, e filho do medo da noite. Sio incitavam a falar, exclamava: — Ai! que despreguiça!

Alternando os olhos arregalados de quem quer tudo ver e os semicerrados dos curtidores, ele apropriou-se de tais fazeres que os macunaímicos ficam balançando em suas redes sociais, observando seus certeiros lances de dados: poesia, música, teatro, ilusionismo, heterônimos vivos, alucinações orquestradas em compassos órficos, Ofélia na Vila Shakespeare, instrumentos antigos dedilhados ou esgarçados por sua fúria criativa.

E sua Mariana L aqui, com seu Outro-Fausto.

Mineiros diriam que esse moço tem talento pra mais de metro. Eu concordo!.”

(Roberto Bicelli – Poeta)

“Luciano Garcez é poeta-músico. Tem o dom da palavra e do som. Intertextualidade é a sua praia, de mar generoso. Foi aluno meu. Já naquela época, leu Augusto de Campos pelas vias dos sons e das sobreposições. Perambula pelos tomos de poesias e partituras e, como todo criador, ouve a poesia como música e lê a música como poesia, nesse cruzamento de hemisférios cerebrais sinestésicos que o deixa, afortunadamente, e permanentemente, indeciso entre a Música e Poesia.”
(Flo Menezes - compositor, professor, fundador e diretor do PANaroma Studio)

“O que são esses silêncios quase canonizados por Ofélias, que Luciano Garcez criou em sua obra? Contemplação. O que são essas músicas, essas danças, quase recordadas por Ofélias? Prenúncios. É assim que uma grande obra revisita outra grande obra.”

(Whisner Fraga - escritor)

 “Kleine Faust, de Luciano Garcez, é obra de extrema originalidade, algo nunca feito antes, mesmo levando em conta o quanto a lenda de Fausto foi reescrita. Assim, Mariana / Luciano trazem, em seu livro ‘Kleine Faust’, o ensinamento de que um bom poema é todos os poemas e a poesia é plural e coral, um entrecruzar-se de vozes. Contem, mais que um mundo, uma galáxia em suas 84 páginas.”

 (Claudio Willer, poeta, ensaísta e tradutor).

Em 1982 estava eu em Paris num hotelzinho modesto mas na rua Lafayete, pegado à Ópera.

Como sou, parece-me, um sensitivo, confrontei-me com coisas estranhas lá, mas duas “humanas”, fantásticas: um porteiro noturno gordão (concièrge), português, que se dizia francês (não duvidei pq. seu francês era dez vezes melhor que o meu) com quem eu jogava, lás pelas 2 da madruga de perambulações, um xadrez cheio de erros e falsetes teóricos, mas que sempre conduzem à Beleza  [ o Xadrez é o único universo onde nada nunca está perdido, um Grande Mestre retoma um final perdido de outra dupla e pode levá-lo à gloria! : o Erro é o Deus do succès & échec, base binária que sustenta a Vida.] . E outra, um rapaz elegante, fino nos dois sentidos, que transitava sorridente pelos escaninhos do hotel (não se assuste, era funcionário de lá...) que, atendendo a tudo e a todos, sabia detalhes da vida - acho que seduzia o mulherio da equipe, e elas todas se achegavam nele, dengosas e ressaltando-lhe as qualidade de fac totum: realmente, ele sabia comandar a limpeza, trocar lâmpadas, escolher a culinária e... cantar as músicas do Vinicius de Moraes e de sua réplica francesa na música pop e nas belles lettres, o grande Jacques Prevert!  Seu português era primoroso, enfim, bailava e rodopiava nos etecéteras do dia e noite e do noite e dia!

Um dia perguntei-lhe o nome e ele respondeu-me: — Chabarpeintre.

E explicou-me: Cha de chasseur, Bar de barman e Peintre de pintor.

Você, Luciano Garcez, músico, libretista, poeta, encarnador de outras Pessoas, sorrateiro provençal, pianista na penumbra de minha sala, penso que pode ser chamado de CHABARPEINTRE BRASILEIRO!.”

(Florivaldo Menezes - poeta, tradutor e ensaísta)

“Luciano Garcez junta os estilhaços da pós-modernidade, unindo-os num rosário de sentidos, e essa liga se faz pelo romantismo profundo que habita sua alma. Lirismo descontínuo, mil eus e um espírito que aceita a promiscuidade e o retiro, pois parece estar não estando: um Poectoplasma. Bravo! - no sentido de ‘bravura’:

Taí, Ta lá
Um corpo estendido em meditação
Erótico silêncio
É o Falcão do Tao
Rasgando a música concreta
(o ruído da folha)

Salut ao cavaleiro bernardino
Na segunda cruzada banhado em ouro
Sem tensões, só acordes perfeitos
Empilhados na Escada de Jacó
O dandi do dada dando a dívida
(folha voltando ao galho)."

(Armando Lôbo - compositor, produtor, poeta e arranjador)

 “Não é tarefa fácil definir o poeta Luciano Garcez e seu estro exuberante. Sua pena é um transbordamento de idéias vivazes que percorrem o clássico e o pós-moderno, num concerto genial de imagens caleidoscópicas”. 
(Eduardo de Almeida Navarro - Livre-Docente do Departamento de Línguas Vernáculas da USP, autor do “Método Moderno de Tupi Antigo”).


“temmaismastemtudoissopoetacompositorcantorpopularexperimentalinteGrando
pssadoepresentetRanscretoprovoCadorinquiEtodesestabiliZandoocomumtemmais
mastemtudoisso.”
(Sérgio Villafranca – pianista, performer e compositor)

“O texto de Luciano Garcez é correnteza musical-de-intefaces-filosóficas-poéticas, é fluxo fabulatório de ritornelos que arrasta uma miríade de signos além de código linguístico, desliza e transforma ao deslaçar um bloco acústico, um único sopro piroclástico nas raias do grito, absorvendo partículas a-significantes: palavras com espessuras verticais que recomeçam perpetuamente no irrecomeçável, é a variação ramificada da língua, onde as sintaxes delirantes são constituídas por curvaturas, elos, aros, desvios, subducções que não se separam da vida e estraçalham o mundo diante de nós - no acontecimento-filigrana sentimos o caos, e o caos é força ‘germinativa da língua’, uma força que tenta pervagar, exceder a morte com o olhar-girador que se irradia-esburacado quando assimila as tessituras do interior do corpo no aqui-agora.”
(Luís Serguilha – poeta e ensaísta)

“Luciano Garcez vai passeando em cima de suas canções - música e letra -  e portas vão se abrindo (mas que diabo tem aí dentro?), tuíta o pássaro, bate cabeça, wikimelodias, o código aberto se oferece num sorriso, tipo “tudo ao mesmo tempo agora”, 1500 manda aquele abraço ao século XXI, a poesia vai ao cartório pra reconhecer como autêntica a assinatura da ditadura, da cabeça dura, da embocadura. Beijo na boca, A-B-Refrão-A-B-Refrão, 2-5-1.”
(Maurício Pereira, “Mulheres Negras” - compositor, cantor e produtor)


“Luciano Garcez, grande poeta e parceiro dos bons!  Alguém que está sempre atento ao que de melhor a arte produz, porque ele mesmo a faz! ”

Yuri Popoff (instrumentista e compositor).

“ Em todo Fausto há um Prometeu desafiando os deuses, nos ensinam os românticos alemães. A poesia seria a alquimia dos tempos de hoje? Danação em ritmo de dança, orquestrada por Liszt? Ou nosso íntimo Schubert? Ou Berlioz? Ou até pelo grotesco e patético Gounod? De horizonte sem absoluto, numa janela pálida de hospital? — Que la vitre soit l'art, soit la mysticité ! Ou álbum infantil, livro de imagens pós-polarizadas? Ou série B. do “por um triz”, por uma Beatriz? Ou display da vitrine, difração mórbida, desencarnada, objetivada? “Kleine Faust” é uma farsa séria de Luciano Garcez, que ridiculariza os clichês da vida, vinga medíocres destinos, humilha pequenos príncipes e mestres rasteiros em tom de galhofa, desafiando a morte feita personagem, genésica catarses das nossas dores.”
Michel Riaudel (professor-doutor do Departamento de Estudos Portugueses e Brasileiros da Université de Poitier - articulista e tradutor de literatura brasileira).


 “Luciano Garcez é seguramente um dos artistas mais brilhantes que conheci, e com quem divido parcerias. Brilhante igualmente como poeta, compositor ou pensador das Artes.”

(Luis Felipe Gama, compositor e poeta)

“O que Luciano Garcez chama de “Alvo-luz” em Vocalises, em sua heteronímia em vida Mariana L. e em sua obra toda, enfim, é a procura incessante de um ponto, como aquele que traça a sua trilha ou rizomas que se abrem para um território – “de ponto a ponto”.  Ele é um artista do desassossego, do caldo omótico que avança, acrescenta, engloba, liquefaz ossos. Seu alvo-luz só pode ser um ponto cego que está na sua testa, quando fecha os olhos e contempla. Quando se mergulha em Marte, tudo está para se compor...”

(Carlos Pessoa Rosa – Poeta e Escritor)

“Vocalizado o silêncio, Luciano Garcez teatraliza a poética do canto através da voz muda, errática e torturante de uma Ofélia bipartida por cordas vocais invisíveis, uma Ofélia serpente enrolando-se em gasodutos e duplicando-se em espelhos.

Por onde nos levará seu canto?

(Márcio Barreto - escritor e compositor).

“Cada poema de Luciano Garcez parece franquear-se uma passagem livre pelos tempos-espaços, feitos de palavras alçadas à dimensão de um arranjo mutável como as viagens: o poeta lança-se intrépido e canta ‘corais polimorfos’, uma polifonia entre a memória, o flagrante e a incerteza”.
(Marcelo Tápia - poeta e tradutor, doutor em Teoria Literária e Literatura Comparada).

“Artista de produção incessante, Luciano Garcez publicou muitos de seus livros em pouco tempo. Sua poesia apresenta, assim como a sua música, disposição para a fusão, interação e superposição de imagens, não apenas como manifestação natural da cultura pós-moderna, mas também como forma de observar e criticar essa mesma pós-modernidade, da qual o compositor é representante legítimo.  No conjunto de sua obra, segundo ele mesmo, ‘estilos e épocas se misturam com a mesma elegância abstrata dos temas difusos que se organizam em uma prateleira’ contextualizando, assim, de certa forma, a ‘geração pós-abertura no Brasil’. Em ‘Salutz a Uma Dama Moura’, escreveu: “Todos os livros estão saltando de minhas estantes, suicidas”. Escreveu também, remetendo provavelmente ao surrealismo constante em suas palavras e sons: ‘[a loucura] dorme agora no meu sistema límbico/ encapsulada por suas asas e fria’. Refere-se à era pós-moderna como a era do consumismo doentio, à Indústria da Cultura como uma ‘menina dos olhos cegados que vê’, à Internet como ‘a silenciosa maioria do ‘mais real que o real’ e a um ‘vazio crônico no lugar do desejo de transcender’. Denuncia que ‘uma das funções dos meios de comunicação é outorgar ‘status’ a qualquer coisa em seu raio de alcance, mesmo que validado pelo vazio de valor’ e observa que, nos tempos atuais, ‘a alma foi reduzida a um complexo muro neuronal’, transformando essa em algumas das grandes e indissociáveis questões que norteiam o seu trabalho.”
(Maria Clara Gonzaga Padilha – Professora de piano da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, fragmento da Tese de Doutorado “MÚSICA CÊNICA PARA PIANO NO RIO DE JANEIRO – análise da obra “O Espírito da Qoisa”, de Luciano Garcez).


“Flâneur exprime bem a sensação causada pelo trabalho de Luciano Garcez, de não estar nem lá nem cá: nem no mundo hermético do intelecto, nem na volatilidade desenraizada do sensível. Ouvir o disco é requerer, natural e simultaneamente, elementos desses dois mundos, sem estar fincado em nenhum deles em definitivo. Mundos que aqui se encontram sem constrangimentos.”
(Daniela Ribas, Historiadora e Socióloga, especializada em Sociologia da Cultura e História da Música Popular Brasileira)

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